22 junho 2008

O caso Ariadne e o Eldorado amazônico

Para esta temporada de ópera do Theatro Municipal de São Paulo estava previsto para o mês de agosto a apresentação de "Ariadne auf Naxos", de Richard Strauss, a partir de uma co-produção com o Festival Amazonas de Ópera (FAO), que o encenou na edição deste ano sob a direção de Caetano Vilella (leia aqui a resenha).

Pois bem, a tal parceria não ocorrerá por motivos diversos. Alguns deles o diretor Vilella expõe em dois posts de seu blog ("Uma outra 'Ariadne' para São Paulo" e "Ainda sobre 'Ariadne'. Réplica e tréplica"). Em princípio, datas e elencos estão confirmados, mas de fato a interessante montagem de Manaus não virá para Sampa (caberá também competente André Heller a elaboração de um novo espetáculo).

Por outro lado, a não concretização da parceria vem acompanhada de mais um "troféu" recebido pelo FAO. Desta vez trata-se de uma elogiativa matéria da revista francesa Opéra Magazine, tal como informa Jorge Coli hoje na Folha de S. Paulo (na internet, o texto infelizmente está em área restrita).

Como já tratei recentemente, e ao longo dos anos que cubro o FAO, o evento trata-se algo único e necessário para qualquer brasileiro verdadeiramente interessado em música (seja ela de qual tipo for). Claro, a distância será sempre um empecilho para que o grosso da audiência clássica, concentrada no Sudeste, veja com seus próprios olhos e ouça com seus próprios ouvidos aquilo que é um verdadeiro Eldorado da música operística brasileira.

Porém, a real concretização de parcerias é fundamental para que o Eldorado transcenda a condição de lenda e consolide de uma vez sua vocação para marco histórico.

Por ora, resta a quem ainda não pode inspirar os cálidos os ares líricos amazônicos uma pequena amostragem que o regente Marcelo de Jesus (braço direito de Luiz Fernando Malheiro no FAO e na Amazonas Filarmônica) está disponibilizando em seu blog.

Um comentário:

joêzer disse...

há algum tempo se tentou criar uma parceria entre os festivais de ópera do amazonas e do pará. por muito tempo vigorou um invencível bairrismo na região, com direito a piadas entre maranhenses, amazonenses e paraenses no pior estilo brasileiros vs. argentinos. não sei se o projeto foi pra frente.

em são luís, as disputas em torno da hegemonia cultural quase levaram o Teatro Arthur Azevedo de tradição gloriosa a virar casa de moscas. como nasci em manaus, morei mais de uma década em belém e dei aulas na escola de música e na universidade do maranhão, torço para o estabelecimento sério de projetos acima de efêmeras vontades políticas e baseados na retomada da grande produção cultural.

Certíssimo: já passou da hora do Eldorado deixar a mitologia.