19 novembro 2006

Memória e “estórias” da ópera.

Pesquisador da ópera Sergio Casoy lança dois títulos dedicados ao gênero.

Em todo lugar do planeta, o mundo da ópera parece constituir um colorido universo paralelo, à parte do mundo real e das cores cinzentas da realidade. Como todo universo paralelo, a ópera tem seus próprios habitantes: cantores, cenógrafos, figurinistas e outras funções difíceis mesmo de nomear. Mas nada se compara àqueles que simplesmente são apaixonados por ópera. Não se trata de meros espectadores, mas sim pessoas vão a todas as montagens existentes, cruzam fronteiras internacionais para ver uma montagem promissora, conversam com fluência sobre divas das mais diferentes épocas e possuem um verdadeiro acervo áudio-visual, com diversas versões de suas óperas prediletas.

Freqüentemente, trata-se de um caminho sem volta, e alguns chegam mesmo a mudar completamente seu curso da vida profissional para vivenciar o maravilhoso mundo canto lírico. É este o caso de Sergio Casoy, engenheiro de formação, mas pesquisador da ópera por vocação e paixão. Professor de história da ópera na USP e no comando do programa de rádio “La Canzone Italiana” da Cultura FM de SP, outra faceta desta profissionalização da paixão de Casoy pode ser agora conferida no livro “Ópera e outros cantares”, e em breve, em outro livro a ser lançado no início do ano que vem: “Ópera em São Paulo: 1952-2005”.

Lançado neste semestre, “Ópera e outros cantares” reúne 52 textos sobre ópera ou outros gêneros vocais (como missas e lied), boa parte deles originalmente escritos como “notas do programa” de importantes temporadas paulistanas, tais como o Theatro Municipal, o Theatro São Pedro e a OSESP.

Reunidos em capítulos temáticos (“As óperas do Classicismo”, “A ópera no século XX”, etc.) os textos não se detêm sobre os aspectos técnicos ou sobre o enredo de uma determinada ópera, mas sim se debruça de forma acessível e cativante sobre os “causos” que circundam uma determinada obra, seu contexto histórico e as motivações pessoais do compositor. Diferentemente de uma História, as estórias contadas por Casoy são de interesse tanto do iniciado como daquele que queira adentrar pelas portas do teatro de ópera.

Mas, paralelamente a esta obra de interesse geral, com o livro “Ópera em São Paulo: 1952-2005” Casoy preenche uma lacuna muito específica e importante da cultura musical brasileira. Mais do que um livro para ser lido, é uma obra para ser consultada por qualquer um que se interesse por música e ópera no Brasil.

A partir do feito realizado em 1954 por Paulo Cerquera, com o fundamental “Um século de ópera em São Paulo” – que cobre a história da ópera paulistana até a mítica temporada de 1951, que contou com nomes como Maria Callas e Renata Tebaldi – Casoy mapeia toda a produção operística realizada desde então, realizando um importante levantamento estatístico de obras, compositores e, principalmente, cantores.

Porém, engana-se quem pensa que esta sistematização resulta numa obra hermética voltada apenas para especialistas. Além de textos sobre a história da ópera paulistana no período em questão, o autor tempera o trabalho com entrevistas com importantes personagens desta trajetória, além de fotos de programas, cantores e encenações que nos últimos cinqüenta anos passaram pelos palcos de São Paulo, uma época em que ela ainda era a terra da garoa.

Abaixo, leia na íntegra a entrevista concedida por Sergio Casoy.

Serviço: "Ópera de outros cantares” (Perspectiva, 442 págs., R$ 64) e “Ópera em São Paulo: 1952-2005” (Edusp, 593 págs., a ser lançado no início de 2007).
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Fotos: 1) O Theatro Municipal de São Paulo nos tempos das carroças. 2) Elenco da montagem de 1966 da "Madama Butterfly", de Puccini, também no TMSP.

[Publicado originalmente na Gazeta Mercantil. Versão sem cortes, sem edição, sem revisão!]

Um comentário:

Eduardo Lopes - Rio disse...

Puxa vida... Mas quando a Edusp vai publicar o livro?