22 setembro 2008

Quando os irreverentes se vão (in memoriam Mauricio Kagel & Flavio Florence)

Está no ar no site na Concerto On Line uma pequena homenagem ao compositor argentino Mauricio Kagel e ao maestro brasileiro Flávio Florence, que partiram recentemente e que deixaram para nós o exemplo de como a irreverência é fundamental para fazermos as coisas a sério. Acesse: www.concerto.com.br

10 setembro 2008

Os maiores compositores da história da música

Abaixo minha resposta, por assim dizer, alternativa para uma "interessante" enquete, por assim dizer...:

Gioachino Rossini: no quesito largura, dizem que chegou a pesar mais de 100kg, o que foi muito para sua pouca altura (na foto ao lado, o compositor delineia um saciado sorriso após seu desejum de 2.800 kCal.)

Serguei Rachmaninov: com quase dois metros de altura, foi sem dúvida um dos maiores. Para ele, apenas o céu era o limite (na direita, o compositor dá autógrafos após um concerto).

Richard Wagner: seu peso e altura foram os normais para o padrão da época, mas dizem as más línguas que seu ego ocupava os espaço de dois Berliozes, três Chopinhos e dois Paste (seu ego era tão grande que não coube na foto que queria colocar aqui).

08 setembro 2008

Música nova e a nova música

Está aberta a temporada de música do presente, e além de minha coluna quinzenal na Concerto On Line (clique aqui), o portal Onne me pegou para falar um pouco sobre música contemporânea para o grande público (agora clique neste). Happy new ears!

25 agosto 2008

Que educação musical?

Está no ar no site da Revista Concerto o texto "Que educação musical?" sobre a lei que regula o ensino musical no Brasil e o veto presidencial num ponto de "pouca importância". Acesse: www.concerto.com.br

14 agosto 2008

Depois do amor / After love

DEPOIS DO AMOR*
por JacK Gilbert

Ele está assistindo música de olhos fechados.
Ouvindo o piano como um homem se movimentando
através da mata, pensando por sentimento.
A orquestra em cima das ávores, o coração embaixo,
passo a passo. De vez em quando a música se precipita,
mas sempre volta a silenciar, tal como o homem
nostálgico e esperançoso. Tem uma coisa na gente,
quase sempre imperceptível. De algum modo existe um prazer
na perda. Na ansiedade. A dor
vai deste jeito. Nunca mais.
Nunca mais mesmo. De novo o nunca.
Vagarosamente. Nenhuma planta. Quase partindo.
Uma beleza murmurosa no silêncio.
O ter sido. Ter tido. E o homem
sabendo que tudo dele chegará ao fim.

AFTER LOVE*
by JacK Gilbert.

He is watching the music with his eyes closed.
Hearing the piano like a man moving
through the woods thinking by feeling.
The orchestra up in the trees, the heart below,
step by step. The music hurrying somethimes,
but always returning to quiet, like the man
remembering and hoping. It is a thing in us,
mostly unnoticed. There is somehow a pleasure
in the loss. In the yearning. The pain
going this way and that. Never again.
Never bodied againg. Again the never.
Slowly. No undergrowth. Almost leaving.
A humming beauty in the silence.
The having been. Having had. And the man
knowing all of him will come to the end.

* Publicado revista "The New Yorker", July 7 & 14, 2008. Sugestões de melhorias e correções da tradução serão bem-vindas.

11 agosto 2008

China e sua olimpíada musical


Está no ar no site da Revista Concerto o texto "China e sua olimpíada musical", sobre o fenômeno da música clássica na terra de Mao Tsé. Acesse: www.concerto.com.br

22 julho 2008

Gente nova, música nova

Está no ar no site da Revista Concerto o texto "Gente nova, música nova", sobre o sucesso de jovens compositores brasileiros que, para ouví-los, você vai ter que pegar um vôo internacional. Acesse: www.concerto.com.br

Ilustração: detalhe da partitura "In Harmonica", de Sergio Kafejian.

03 julho 2008

São Pedro entre ianques e soviéticos

Óperas de Gershwin e Shostakóvitch ganham o palco do charmoso teatro paulistano

Semana passada foi apresentada no Theatro São Pedro (TSP) uma interessante montagem da famosa folk-opera de George Gershwin, “Porgy and Bess”, e a partir de amanhã seu palco cederá lugar para seu “antípoda” soviético, a ópera "Moscou, Tcheryomushki" de Dmitri Shostákovitch.

Mas na verdade os antagonismos são apenas superficiais, pois ambos compositores tinham a preocupação social – para não falarmos de engajamento ideológico – presentes em suas poéticas musicais. Cada qual ao seu modo, o que une estas duas óperas de estéticas e países tão distintos é a crítica às estruturas da sociedade por meio de um pequeno retrato de seu cotidiano.

A montagem de “Porgy and Bess” mostrou como com dedicação e competência é possível fazer espetáculos operísticos interessantes a baixos custos. Sob a direção musical do jovem compositor e arranjador Felipe Sena, a partitura orquestral foi transcrita para uma formação de câmara, que se mostrou muito eficiente para as dimensões do TSP. Confortável com swing popular e habilidoso com o rigor da partitura escrita, a regência de Sena potencializou a pluralidade estilística inerente à partitura.

O elenco vocal desta produção alternou entre a fragilidade técnica de parte dos papéis coadjuvantes e a excelência dos protagonistas. José Gallisa e Edna D’Oliveira foram incontestáveis enquanto casal protagonista, no qual se destaca o trabalho corporal do Gallisa de forma a conferir verossimilhança ao aleijado Porgy. Porém, é de se notar o fundamental trabalho realizado por Ednéia de Oliveira (Serena) e de David Marcondes na pele do sexualmente agressivo Crown.

Sob a direção cênica de João Malatian, este “Pockt-Porgy and Bess” foi muito bem sucedido em sua parte cênica, que contou ainda o inventivo cenário de Renato Theobaldo e Roberto Cardoso, que com seus caixotes de frutas, tão típico em nossos mercadões, concedeu ares paulistanos à América sulista.

* * *

Enquanto isto, a um oceano de distância e nos gélidos ares russos, Shostákovitch dava vazão à sua crítica à hipocrisia e ao cinismo das autoridades soviéticas na ópera "Moscou, Tcheryomushki", ambientada numa cidade “ideal”, muito comuns durante o regime, mas cuja solidez de sua sociedade se assemelhava às de um cenário de ópera. O Núcleo Universitário de Ópera, que sob a direção de Paulo Maron ficou conhecido em nossa cidade pelas operetas de Gilbert e Sullivan, irá mudar de ares de forma radical, fazendo toda a parte vocal no original em russo. O simpático cartum ao lado - com Shostákovitch passeando com seu Lada em Tcheryomushki - integra a divulgação desta montagem que vale conferir.

Foto de "Porgy & Bess": Rachel Guedes